A crescente valorização de padrões estéticos corporais associados à hipertrofia muscular, baixo percentual de gordura e alto desempenho físico tem influenciado de forma significativa o comportamento de indivíduos fisicamente ativos. Nesse cenário, observa-se o aumento do consumo de suplementos, recursos ergogênicos e medicamentos com a promessa de resultados rápidos, muitas vezes dissociados de práticas seguras e baseadas em evidências científicas. Entre essas substâncias, destaca-se a tadalafila, um inibidor da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), originalmente indicada para o tratamento da disfunção erétil, mas que vem sendo utilizada de forma off-label como suplemento pré-treino. O presente capítulo propõe uma análise crítica do uso da tadalafila no contexto do exercício físico e da estética corporal, abordando seus mecanismos fisiológicos, os possíveis efeitos relacionados ao desempenho físico e os riscos potenciais associados ao seu uso fora das indicações terapêuticas aprovadas. A discussão fundamenta-se em evidências científicas que incluem estudos experimentais em indivíduos saudáveis e atletas, pesquisas observacionais sobre uso recreacional, relatos de eventos adversos e documentos regulatórios. Embora o mecanismo de ação da tadalafila, baseado na vasodilatação mediada pela via do óxido nítrico e do GMPc, sustente a hipótese de melhora da perfusão muscular durante o exercício, os resultados disponíveis na literatura são inconsistentes quanto a benefícios reais no desempenho físico. Por outro lado, há evidências que apontam para a ocorrência de efeitos adversos relevantes, incluindo alterações hemodinâmicas, distúrbios visuais e outras complicações clínicas, reforçando a necessidade de cautela no uso desse fármaco por indivíduos saudáveis. Ao discutir a utilização da tadalafila como recurso ergogênico, o capítulo insere o tema em um contexto mais amplo de medicalização do corpo e uso irracional de medicamentos, fenômeno cada vez mais presente em ambientes esportivos e estéticos. Trata-se de uma aborda