Trata-se de um relato de experiência desenvolvido a partir das vivências práticas de uma enfermeira residente do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, pela Fundação Oswaldo Cruz, Brasília - DF, abordando a articulação entre a rede socioeducativa e o Sistema Único de Saúde no cuidado de adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas. Introdução: A Constituição Federal de 1988 e o Estatuto da Criança e do Adolescente fundamentam a proteção integral de crianças e adolescentes, assegurando direitos básicos e a prioridade absoluta à saúde. Entretanto, historicamente, esse público foi estigmatizado e criminalizado, realidade que o Estatuto da Criança e do Adolescente e políticas subsequentes buscam transformar. O Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo, articulado ao Sistema Único de Assistência Social e ao Sistema Único de Saúde, possibilita acesso a serviços de educação, saúde, trabalho e cultura. Nesse contexto, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde de Adolescentes em Conflito com a Lei garante promoção, prevenção e assistência integral. Objetivo: O estudo foi descrever as ações e desafios vivenciados pela enfermagem no socioeducativo, identificando demandas de saúde e estratégias de articulação com a rede de atenção, em especial na atenção primária, porta de entrada do Sistema Único de Saúde. Metodologia: Trata-se de um relato de experiência fundamentado na Teoria de Enfermagem de Betty Neuman, utilizada como norteadora para compreender fatores estressores e planejar intervenções preventivas e integradas. As atividades incluíram acolhimento de adolescentes e familiares, construção do Plano Individual de Atendimento, participação em grupos, reuniões de equipe, supervisão e articulação com Unidades Básicas de Saúde e Centros de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil. Resultados: Constatou-se que a ausência de enfermeiros no quadro de profissionais do socioeducativo dificulta o cuidado integral e a promoção da saúde, sendo frequentes demandas ligadas